domingo, 20 de junho de 2021

Liberdade de ser

Programa Roda Viva
TV Cultura
14/06/21
Entrevistada: Chimamanda Ngozi Adichie

A escritora Djamila Ribeiro pergunta a Chimamanda: Como você se vê também nesse lugar de uma referência de moda, de uma mulher, escritora, feminista, mas que também gosta de falar sobre esse tema?

A resposta de Chimamanda me tocou profundamente. Ela diz que isso é o que ela é. Que nós mulheres somos condicionadas a ser consideradas frívolas e menos inteligentes, ou pouco sérias se gostarmos de moda ou maquiagem, por exemplo. Ela diz que quer se permitir ser o que quiser e que uma dessas coisas não seja motivo para questionar sua inteligência ou a sua capacidade.

Pois bem. Minha identificação com essa fala acontece quando me lembro de ser considerada pouco racional por ser intuitiva. Por ser levada menos a sério por gostar de astrologia. Me identifico porque também acho que isso é o que eu sou. Eu não sou uma única coisa, sou um conjunto de gostos, identificações, vontades e valores que me definem enquanto pessoa. Que o fato de eu ouvir minha intuição não me torna menos capaz de discernir. Que o fato de eu acreditar numa energia cósmica, não me faz aceitar incondicionalmente e de forma apática os desígnios da minha existência.

Esse julgamento acerca da minha forma de ver o mundo, inclusive por quem diz gostar de mim, já me tolhiu algumas vezes. Como forma de defesa, minha atitude foi, de fato, não mostrar mais essa minha característica, foi me policiar para não parecer tola, ingênua, pouco racional, estúpida. 

Porém, refletindo sobre o assunto, vejo que minha atitude é o resultado de uma censura. Penso que preciso ser quem realmente eu sou. Que o julgamento do outro a ele lhe pertence, não a mim. É preciso ter convicção e ousadia para ter a liberdade de ser o que somos.

Feminismo não é sobre legislação a ser cumprida, apenas. É observar essas pequenas nuances do cotidiano e entender nosso comportamento enquanto sociedade e, principalmente, mudar nossa forma de agir pensando no nosso próprio desenvolvimento. Eu acredito que estamos aqui neste planeta, neste tempo com estas pessoas para duas coisas: aprendizado e evolução.

O nome do blog

Hoje eu estava ouvindo uma rádio no carro e uma ouvinte agradecia os locutores dizendo que gostava muito deles e afirmou: "Eu não sei o que seria de mim sem vocês neste meu homeoffice." Então eu pensei algo do tipo: "Eu não sei o que seria de mim sem mim mesma!" e logo me veio um outro pensamento, o de que, na verdade, eu não sei nem como estou sendo no momento. Uma vez li uma frase que tem me servido já há bastante tempo: "Eu tô numa fase que eu não sei que fase eu tô..." Pois foi assim que eu me deparei com o nome deste blog "Eu não sei o que tem sido de mim...". A ideia é compartilhar textos meus sobre mim ou sobre situações da vida do meu "nem sempre certo quase sempre errado" ponto de vista...